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Rico em detalhes, premiado na Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, este mapa evidencia principalmente os afluentes dos principais rios paranaenses. É antes de tudo um mapa hidrográfico e ferroviário do Estado.

Percebe-se que antes mesmo de o ramal do Paranapanema (Jaguariaíva - Jacarezinho) ser concluído, surge um pequeno ramal da linha-tronco, em direção ao oeste. Esse ramal partiu da estação de Wenceslau Braz em 1920, em demanda ao carvão mineral encontrado no vale do rio do Peixe (Laranjinha). Em 1922 chegava a Ibaiti. Foi construído pelo Governo Federal, atendendo a um pedido do novo dono das minas, o português Souza Cruz.

No oeste, já se nota projetado o ramal ferroviário até Guarapuava, partindo de um ponto de ferrovia São Paulo - Rio Grande.

A construção do ramal para Guarapuava foi iniciada pela subsidiária da “Brazil Railway Company” a “Companhia Brasileira de Viação e Comércio” (BRAVIACO). Pela construção desse ramal, o Paraná concedeu à Braviaco inúmeras glebas de terras, entre as quais a de Missões, no sudoeste do Estado, com 425.731 hectares.

Enquanto a cafeicultura paranaense iniciava um crescimento que será progressivo, a economia ervateira passava por um curto período de recuperação em suas exportações; aos poucos o mate irá perdendo sua condição de atividade condutora da economia. O período favorece também a indústria madeireira.

Este mapa da rede de viação do Paraná traz um registro novo e certamente contribuição muito significativa para seu tempo, ao destacar as distâncias entre as localidades ligadas por estradas de ferro ou de rodagem. Também o porto de Paranaguá ganhou destaque, sendo indicadas as distâncias em milhas marítimas que o separam dos principais portos brasileiros e do Prata, evidenciando a ligação do mate paranaense aos mercados platinos.

Não obstante a indicação de uma data sobreposta ao final da legenda novembro de 1923 a data mais provável deste mapa é 1924, se tomarmos a rede ferroviária como ponto de referência. Foi nesse ano que os trilhos do ramal do Paranapanema chegaram à localidade de Affonso Camargo (atual Joaquim Távora). De acordo com o mapa, esse trecho já estava em tráfego.

No extremo noroeste, na margem do rio Paraná, são indicados dois pequenos “portos”, Xavier da Silva e São José. Apesar do título, são apenas locais de passagem do gado bovino, do Mato Grosso em direção ao Paraná. O Paraná sempre foi criador e exportador de gado. Porém, nas primeiras décadas do século XX é tamanha a decadência das fazendas de criação que os paranaenses são obrigados a importar bovinos para seu próprio consumo. As “picadas” que comunicavam esses portos aos Campos Gerais recebiam o nome de “boiadeiras”.

No oeste do Paraná, observa-se a expansão das “obrages” estrangeiras, em direção a leste: Barthe, Gibaja, Fazenda Britânia, e, entre outros, a extraordinária penetração do “obragero” Allica com seu Porto Artaza e a central de produção Santa Cruz. Abriu estrada atravessando o rio Piquiri e chegou a explorar erva-mate na região de Campo Mourão.

Entre as localidades de Salto e Depósito Barthe está localizado um povoado sem nome, mas que será a futura cidade de Cascavel.

O Interventor Federal no Paraná, Manoel Ribas, serviu-se do mapa político do Estado para perpetuar e fazer propagar as obras de sua administração até 1938: estradas de rodagem, pontes, serviços de água e esgoto, edifícios escolares e casas de saúde. Seu governo durou até 1945.

Há neste mapa, em relação aos anteriores, um destaque maior aos limites municipais, permitindo observar a grande extensão de alguns, em particular o de Guarapuava.

A intenção do mapa e os elementos registrados servem também como testemunho da mentalidade administrativa de uma época.




A partir de 1938, coube ao Departamento de Terras e Colonização organizar anualmente um mapa oficial do Paraná.

Neste mapa elaborado por ordem do Interventor Federal Manoel Ribas, sob o Estado Novo do Presidente Getúlio Vargas, podem ser detectados diversos avanços no processo de ocupação do território paranaense.

1. No Norte do Estado opera-se uma grande transformação: os trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná, passando por núcleos do povoamento em plena evolução, tais como Bandeirantes, Cornélio Procópio, Londrina, Arapongas, Apucarana, Jandaia, testemunham um dos mais significativos fenômenos de ocupação e colonização do território brasileiro.

O grupo inglês da “Companhia de Terras Norte do Paraná” promoveu a rápida colonização dessa região, aplicando o sistema da pequena propriedade rural, dividindo as férteis terras em lotes coloniais, glebas e zonas.

O mesmo grupo inglês havia adquirido em 1928 a Estrada de Ferro São Paulo-Paraná e assumido o compromisso de levar seus trilhos às margens do rio Tibagi até fins de 1931. Em seguida, os ingleses os levaram mais para o oeste. Londrina é fundada em 1930, elevada à categoria de cidade e sede de município em 1934, formando-se desde logo um centro social de irradiação.

Com o desenvolvimento da região, cresce a produção de café paranaense, tornando-se a região de Londrina o eixo produtor na década de quarenta. A mobilidade de outras duas frentes de colonização também é percebida no mapa.

2. Para o oeste, em direção a Foz do Iguaçu, seguindo pela estrada carroçável, já se destacam dois núcleos, Catanduvas e Cascavel.

3. Pela Picada a oeste de Pato Branco, surgem pequenos núcleo como Renascença e Santo Antônio, este último na fronteira com a Argentina. Aparece também a localização da gleba Missões, palco de futuros conflitos de terras.

Este mapa foi elaborado para ressaltar o território perdido pelo Estado do Paraná com a criação do Território Federal do Iguaçu, em 1943.

Getúlio Vargas assumiu o Governo Federal em 1930 e já no ano seguinte tentou criar esse território federal às custas do Paraná e de Santa Catarina. Entretanto, com a firme reação do interventor no Paraná, General Mário Tourinho, sua criação foi protelada, à espera de melhor oportunidade política. Em conseqüência, o interventor paranaense foi exonerado.

A explicação do Governo Federal para criar esse território era a urgência para nacionalizar-se a chamada “fronteira guarani”, no oeste.

Em 1943, em plena vigência da ditadura do Estado Novo, Getúlio Vargas concretizou o “Território Federal do Iguaçu”. Na realidade, sua criação ocorreu para que grupos econômicos do Rio Grande do Sul adquirissem extensas glebas de terra, entre outras as que haviam sido retomadas da “Brazil Railway Company”, e iniciassem lucrativos negócios imobiliários. O objetivo principal era orientar o excedente de mão-de-obra agrícola, que já começava a deixar o Rio Grande do Sul para outras unidades da Federação.

Com a queda de Vargas em 1945 e a atuação dos constituintes paranaenses de 1946, esse Território foi extinto. Impedia-se dessa forma a amputação do território paranaense, em benefício de escusos negócios imobiliários.

A população do Paraná, de acordo com o censo de 1940, chegara a 1.236.276 habitantes.

Mapa confeccionado após a redemocratização política do Brasil, com a queda do Estado Novo em 1945. Destaca-se a divisão administrativa do Estado, em municípios.

Nesse ano de 1948, já se observa a existência de dois “Paranás”: o chamado “tradicional”, com sede em Curitiba, e o “nortista”, que se projeta demográfica e economicamente com a produção do café.

No sudoeste e oeste do Estado, a frente sulista oriunda basicamente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina ainda não havia ocorrido em grande escala.

Entre esses dois “Paranás”, funcionando como um isolador de integração, permanecem os Campos de Jaguariaíva, Piraí do Sul, Tibagi e outros.

Entre Ponta Grossa e Apucarana, aparece projetado e sobreposto a mão o trajeto da importante Ferrovia Central do Paraná, uma das grandes obras integradoras das áreas histórico-culturais do Estado.